Dener: o provável maior craque brasileiro.

Hoje vamos falar um pouco do eterno menino Dener. Uma breve descrição da sua curta carreira, e os causos do menino “endiabrado” com a bola nos pés.

Aquele que muitos lamentam não ter ficado entre nós para que tivéssemos a oportunidade de ver alguém que tratava a bola como um simples brinquedo fácil de usar. É, era o Dener! “Deitava, fazia o inferno na zaga adversária, com seus dribles eternos e sua provocação natural.”

Dener Augusto de Souza, nasceu no dia 2 de abril de 1971, na cidade de São Paulo. O menino foi criado no bairro da Vila Ede, na Zona Norte da capital. (Salve ZN!)

Habilidoso, rápido e objetivo, Dener estourou no futebol brasileiro em 1991, quando a Lusa foi campeã da Copa SP de Futebol Júnior, SIM, a moralizadora COPINHA!

Dener em campo na Lusa em 1991

Dener chegou a ter chance na seleção brasileira. Pela seleção jogou onze partidas, onde sua estréia foi contra a Argentina no dia 27 de março de 1991, e para muitos mereceria ser convocado para a Copa do Mundo de 94, mas um infeliz fato impossibilitou isso.

Dener na seleção brasileira

Em 1992, continuou fazendo suas artes em campo, mostrando a todos o verdadeiro prazer de assistir a Lusa jogar! (Saudades Lusa)

Dener em campo na Lusa em 92

Em 1993, o menino foi emprestado ao Grêmio. Sem muito esforço, conquistou os torcedores gaúchos e fez parte do time campeão estadual naquele ano. Após, retornou a Lusa, pois os dirigentes sempre dificultavam uma transferência por definitivo.

Dener no Gremio

No ano seguinte, 1994, o jogador foi novamente emprestado, dessa vez para o Vasco da Gama, onde continuou mostrando seu futebol ousado. Infelizmente, esse foi o último clube que teve o prazer de ter Dener como jogador.

Dener no Vasco da Gama

E então, precocemente, chegou o momento que até hoje causa muitos questionamentos e lamentações.

Quando ainda era jogador do Vasco, Dener voltava de São Paulo, onde estava em uma reunião com os dirigentes da Portuguesa e do Stuttgart, da Alemanha, para uma futura transferência. Dener passou o final de semana com a família, e durante essa volta ao Rio, o seu amigo Oto Gomes, quem dirigia o Mitsubishi Eclipse do garoto (qual ele ganhou ao solicitar como luvas para uma renovação de contrato), perdeu o controle do veículo e colidiu com uma árvore. Dener estava dormindo no banco do carona, e segundo informações foi sufocado pelo cinto de segurança, terminando dessa maneira injusta, talvez, a maior carreira que podíamos ver nos últimos anos.

Particularmente, acredito que Dener, se não fosse o destino, teria se tornado um dos maiores jogadores brasileiros da história. Com seus dribles irreverentes, sua arrancada mortal e objetiva, era destaque dentre todos os jogadores dos clubes que passou. Dener foi mais um da saga dos Anos 90, onde tivemos diversos craques pelo mundo, tornando mais forte ainda essa paixão que geral tem por esse esporte.

Dener também ficou marcado pelos seus ‘causos’ e suas histórias da noitada (GOSTAMOS), juntamos alguns deles que foram publicados em uma matéria especial do globoesporte.com para que vejam o nível do garoto. No final da publicação, deixamos um vídeo para que lembrem-se de alguns lances que fizeram a história do menino.

Por fim, vamos aos causos, SEU PREGO!

“Presente do Vlad”

Dener vai à loja magazine da família do seu treinador Vladimir, de futebol de salão do Vila Maria, clube tradicional da Zona Norte de São Paulo. Chega para o irmão de Vlad, Roni, e fala:

– Ô, Roni, Vlad pediu para você me dar a chuteira que ele acerta com você depois.

O garoto recebe o tênis e vai embora – estava começando na Portuguesa. Mais tarde, Vlad chega e o irmão fala:

– Tem que pagar o tênis que você deu para o Dener.

– Que tênis? Eu? Não falei nada para ele…

“Enche o carrinho”

Passeando pela Vila Ede com sua “nave”, como ele chamava a Mitsubishi 1992 que possuía, Dener foi parado por um pedreiro. Ele contou que passava por dificuldades e que estava indo bater uma laje para conseguir dinheiro. Dener colocou o trabalhador no carro e o levou ao supermercado. “Vambora, escolhe tudo que você quiser, enche o carrinho aí”. O homem ficou tímido e disse que não precisava daquilo. Então Dener andou o mercado inteiro derrubando todos os produtos dentro do carrinho para presentear ao homem que conhecera minutos antes. Era comum o craque ter atitudes deste tipo. Ele costumava também distribuir chuteiras e material esportivo para a garotada da Lusa.

“Rei do camarote”

Antes de despontar como jovem promessa do futebol brasileiro e parar no Vasco, Dener já gostava muito de escola de samba e do Salgueiro, a sua preferida. Com a família, ele viajou num fim de semana e foi para a quadra da vermelha e branca da Tijuca.

– A gente estava lá na quadra e ele ficava olhando para cima, para a bateria. E dizia: “Tia, eu quero subir lá”. Tanto ele fez que, quando estava subindo, quase lá em cima, um segurança o tirou. Depois, quando estava no Vasco, um dia ele me liga: “Tia, você não sabe onde estou: estou aqui no camarote do Salgueiro. O pior você não sabe: o presidente da escola me anunciou e a bateria virou para tocar só para mim”. Ele ficou realizado! – lembra a tia Vanda.

“Dedo no olho”

Taquá, amigo do início no futebol de salão de Dener, com quem jogou no Vila Maria, entre outros times na quadra, lembra de um jogo difícil e de uma solução criativa e nada convencional que Dener encontrou para resolver uma partida no Campeonato Paulista Infantil.

– A gente era muito pequeno, ele tinha 13 anos e enfrentamos um time que era melhor do que o nosso. Eles tinham um cara, nunca esqueço o nome, Rodolfo, jogava demais. Num lance normal, ele enfiou os dois dedos nos olhos do garoto. O médio e o indicador. Tirou o cara do jogo e vencemos a partida. Ele era baixinho daquele jeito e muito malandro.

“E aí, seu prego?”

Abusado, atrevido e de gênio complicado, Dener era descrito também como uma pessoa de coração enorme. O zagueiro Juarez, recém-promovido da base da Portuguesa, começava a se destacar no time principal. Mas seu contrato estava próximo de acabar. Com intimidade e uma boa dose de ousadia, o craque chamou desta maneira o presidente do clube na época:

– Ô, seu prego! Vai resolver o contrato do garoto, não? Resolve logo, seu prego!

E então ? Como seria se Dener tivesse durado mais entre nós ? DISSERTEM …

 

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