Paysandu, o campeão dos campeões: 2002 e 2003

Paysandu, dois anos, uma história.

2002

O ano de 2002 foi especial para o torcedor paraense. Além de comemorar o pentacampeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, realizada na Coréia e no Japão, o estado via seu representante regional ocupar o lugar mais alto do pódio em uma competição nacional, a Copa dos Campeões, vencida pelo Paysandu, em 4 de agosto.

O torneio deixou de fazer parte do calendário do futebol nacional com o início do Brasileirão de pontos corridos, mas é lembrado com carinho pelos paraenses por ter sido a maior conquista de um clube do norte no futebol nacional. Para comemorar os 10 anos desta vitória, vamos contar como foi a campanha bicolor em 2002.

Copa dos Campeões, vencida pelo Paysandu, maior conquista de um clube do norte no futebol nacional

A competição

A Copa dos Campeões foi uma competição nacional, realizada entre 2000 e 2002, reunindo campeões estaduais para definir qual clube teria direito a quarta vaga do Brasil na Copa Libertadores da América.

Nas duas primeiras edições da competição, participaram os vencedores do Campeonato Carioca, Campeonato Paulista, Torneio Rio-São Paulo e da Copa do Nordeste, além dos finalistas da Copa Sul-Minas e de um triangular realizado entre os campeões do Norte, Centro Oeste e o vice-campeão do nordeste do país, totalizando nove participantes. Em 2000, o Palmeiras levantou a taça como primeiro Campeão dos Campeões e, em 2001, o título ficou com o Flamengo.

No ano de 2002, o formato da disputa mudou. A competição passou a ter 16 times: os seis primeiros colocados do Torneio Rio-São Paulo, os semifinalistas da Copa Sul-Minas,  primeiros colocados do Torneio Rio-São Paulo, os semifinalistas da Copa Sul Minas, os 3 melhores da Copa do Nordeste, além dos campeões da Copa Norte e da Centro-Oeste, além do campeão do ano anterior.

Os 16 participantes foram divididos em 4 grupos com 4 times cada. Os dois melhores de cada grupo avançariam para a fase eliminatória, com vencedores definidos em uma partida até a grande final, disputada em dois jogos.

Paysandu Copa dos Campeões

O Papão caiu em um grupo forte, com Corinthians, Nautico e Fluminense. A estréia bicolor foi contra o clube paulista, no Mangueirão. A partida ficou complicada após o goleiro Robson falhar, deixando o atacante Gil sozinho contra o zagueiro Gino, que não conseguiu fazer o desarme. Gil mandou uma bomba e abriu o placar para os visitantes. O time paraense se recuperou quando Sandro roubou a bola da zana Corinthiana, tocou para Albertinho que chutou no canto esquerdo, empatando a partida e definindo placar final de 1 x 1.

O segundo jogo da primeira fase foi novamente um empate, mas desta vez sem gols, contra o Fluminense do Rio de Janeiro. Após falhar na partida passada, Robson deu vaga a Marcão na meta bicolor. O ataque bicolor estava entrosado, mas Albertinho e Vandick não conseguiam transformar as oportunidades em gols. O Fluminense foi para cima, mas o novo goleiro do Papão estava inspirado, e salvou o time em várias oportunidades, defendendo inclusive uma cabeçada de Magno Alves que poderia ter mudado a história da partida.

O teceiro e último jogo da primeira fase foi tenso para os paraenses. Com dois empates, o time precisava vencer para se classificar. Mas o adversário da partida era o Náutico, e estava disposto a estragar a festa do Paysandu no Mangueirão: aos 4 minutos, Kuki fez 1 a 0 para o time de pernambuco, deixando o estádio em silêncio. 25 minutos depois, Marcos chutou forte da entrada da área deixou tudo igual. O mesmo Marcos serviu o Vandick, que bateu cruzado e deixou o Paysandu na dianteira. O Mangueirão explodiu quando Jobson marcou o terceiro gol bicolor após um bate-rebate na área. O Náutico ainda diminuiu com Cláudio após cobrança de escanteio nos acréscimos, mas não havia mais tempo para uma reação do Timbú, e a vaga ficou com o Paysandu após a partida terminar com o placar de 3 a 2.

Quartas de final – Paysandu 2 x 1 Bahia
– Estádio Mangueirão
– Árbitro: Luciano Augusto de Almeida (FIFA-DF)

Em uma partida marcada por vários pênaltis, a primeira disputa das fases eliminatórias começa equilibrada, até Jajá driblar Ramalho e ser derrubado na área. Pênalti para o Papão. Jóbson bate à direita de Emerson, o goleiro pega, mas o placar só fica intacto por mais três minutos, quando após uma cobrança de lateral, Vandick rola para trás e Jajá bate no canto direito e o Paysandu abre a vantagem aos 29 minutos do primeiro tempo. O resultado fica seguro até o início da segunda etapa, quando Souza encosta o braço na bola dentro da área e o árbitro marca a penalidade a favor do time visitante. Robson, que depois se tornaria ídolo no Paysandu, bate colocado do lado direito e iguala para o Bahia. Chiquinha é expulso aos 16 minutos, mas o Paysandu só consegue definir o jogo nos acréscimos. Dessa vez é o zagueiro baiano Acioly que encosta a mão na bola dentro da área. Jobson parte novamente para a cobrança, mas desta vez acerta o gol que dá os números finais da partida.

Paysandu: Marcão; Marcos, Gino (Márcio) Pedro Paulo e Souza (Luís Fernando); Rogerinho, Sandro, Velber e Jóbson; Jajá e Vandick (Albertinho)
Técnico: Givanildo Oliveira

Bahia: Emerson; Mantena, Marcelo Souza, Selmo Lima e Chiquinha; Ramalho, Bebeto Campos, Pingo e Gil Baiano (Carlinhos); Nonato (Acioly) e Robson
Técnico: Bobô

Semifinal – Paysandu 3 x 1 Palmeiras
– Estádio Mangueirão
– Árbitro: Carlos Eugênio Simon

Dividida Palmeiras x Paysandu Copa dos Campeões

A partida começou mal para os paraenses. Nenê, em jogada invidivual, driblou dois zagueiros bicolores e chutou no ângulo, sem chance para Marcão, fazendo um dos gols mais bonitos da Copa aos 13 do primeiro tempo. O Paysandu só conseguiu reagir aos 3 minutos da segunda etapa, quando Marcos cruza para Vandick que empata o jogo, acabando com a invencibilidade do goleiro Marcos, que não tomava gols há 395 minutos. A virada veio com a cobrança de falta de Luís Fernando e o desvio de cabeça de Trindade. O estádio mais uma vez fica em festa, mas ainda havia tempo pra Albertinho, Sandro e Jajá realizarem uma jogada espetacular aos 46 minutos, que terminou com Albertinho driblando dois zagueiros e chutando no canto esquerdo do gol palmeirense. O Papão estava na final.

Paysandu: Marcão; Marcos, Gino, Sergio e Luís Fernando; Sandro, Rogerinho, Velber (Trindade) e Jóbson (Vanderson); Jajá e Vandick (Albertinho)
Técnico: Givanildo Oliveira
Palmeiras: Marcos; Leonardo (Magrão), Alexandre, César e Diego (Itamar); Paulo Assunção, Célio (Juninho), Arce e Lopes; Muñoz e Nenê.
Técnico: Wanderley Luxemburgo

Primeiro jogo da final – Paysandu 1 x 2 Cruzeiro
– Estádio Mangueirão
– Árbitro: Edílson Pereira de Carvalho

Cruzeiro x Paysandu Copa dos Campeões

O Paysandu enfrentou na final um adversário complicado: o Cruzeiro, que havia feito grandes contratações e era um dos favoritos para levantar a taça. O time mineiro saiu na frente ainda aos 14 do primeiro tempo, quando Jorge Wagner cruzou e Fábio Júnior marcou de cabeça. O Paysandu não se deixou abalar e igualou tudo aos 31. Sandro pegou a sobra de uma bola na trave e acertou no canto direito do goleiro Jefferson. Porém, o dia não era bicolor. Após jogada pela esquerda, Leandro passou para Joãzinho e colocou o Cruzeiro, mais uma vez, na frente. E como de costume, o Paysandu pensou que o gol viria nos acréscimos, quando o juiz deu um pênalti para o time aos 45 do segundo tempo. Só que, dessa vez, Albertinho cobrou e desperdiçou. A equipe paraense perdia a primeira final, em casa.

Paysandu: Marcão; Marcos, Gino, Sérgio e Luís Fernando; Rogerinho, Sandro, Jóbson (Trindade) e Wélber; Jajá (Cleisson) e Wandick (Albertinho).
Técnico: Givanildo Oliveira
Cruzeiro: Jefferson; Maicon, Luizão, Cris e Leandro; Recife (Fernando Miguel), Ricardinho, Vânder e Jorge Wágner (Jussiê); Lucas (Joãozinho) e Fábio Júnior.
Técnico: Marco Aurélio

Segundo jogo da final – Paysandu 4 x 3 Cruzeiro (MG). Pênaltis: Paysandu 3 x 0 Cruzeiro
Estádio Castelão – Fortaleza
Árbitro: Paulo César de Oliveira

Paysandu campeão 2002

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2003

O ano era 2003, e a competição era a tão sonhada Copa Libertadores da América. Na fase de Oitavas de final, o futebol nos proporcionou um duelo “nada convencional”, o todo poderoso, e de extrema tradição na competição; Boca Juniors, enfrentaria o moralizador Paysandu, que não tinha tradição alguma no campeonato em questão.

Paysandu Copa Libertadores

Pra quem ama, acompanha e entende de futebol, sabe que a única coisa que podemos ter na vida, é a certeza de que o futebol não te da a certeza de nada. Dentro das 4 linhas, nada além da garra e do futebol vencem, nem números, nem tradição, nem torcida..
Mas é fato que, vencer o Boca dentro de  Lá Bombonera, é algo de extrema dificuldade. Até aquele dia 24 de Abril de 2003, apenas dois times brasileiros tinham conseguido tal feito: o Santos de Pelé, em 1963, e o Cruzeiro de Ronaldo e Dida em 1994.

Dividida Paysandu x Boca Juniors Copa Libertadores 2003

Campeão da extinta Copa dos Campeões de 2002, que dava uma vaga na Copa Libertadores, o Paysandu vivia um momento único e sublime que deixava qualquer torcedor do Remo louco da vida. A equipe era a primeira da região norte do Brasil a disputar uma Libertadores e, ao contrário do que muitos pensavam, o clube não fez feio. Na primeira fase, foram seis jogos, quatro vitórias e dois empates, incluindo triunfos magistrais fora de casa em cima de equipes tradicionais do continente como Sporting Cristal-PER (2 a 0) e Cerro Porteño-PAR (6 a 2). O Papão teve a terceira melhor campanha da primeira fase, atrás apenas de Corinthians e Santos, e foi com a vantagem de decidir em casa o primeiro jogo das oitavas de final. Mas o adversário do Paysandu seria o Boca Juniors-ARG, comandado por Carlos Bianchi e com vários bons jogadores como o goleiro Abbondanzieri, o volante Battaglia, e os meias e atacantes Donnet, Delgado, Schelotto e Carlitos Tévez. O primeiro jogo seria na mítica La Bombonera, casa do Boca e palco de várias derrotas dos clubes brasileiros. A equipe viajou confiante para a Argentina, mas os torcedores não esperavam muita coisa. Um empate seria como goleada. Uma derrota por pouco também poderia ser comemorada. Já uma vitória era quase impossível. Os jogadores do Papão, ao chegar a Buenos Aires, fizeram questão de visitar o museu do Boca e conhecer melhor o tamanho da história e da tradição que teriam pela frente, além de visitar uma sala que reproduzia o barulho da torcida pulsando a Bombonera. Era de arrepiar. E também de temer pelo pior: uma goleada.

Paysandu x Boca Juniors primeiro tempo

JOGO: 1º TEMPO

A bola rolou e foi o Papão quem se arriscou pela primeira vez no ataque. O time brasileiro deixava claro que não seria presa fácil e que o Boca não teria a liberdade habitual de criar chances de gol. Iarley, que na época não tinha a fama de tempos posteriores, era a principal arma do time pela esquerda com dribles, arrancadas e chutes venenosos. Um desses chutes já fez Abbondanzieri trabalhar aos 17´, que espalmou uma bola que tinha como destino o gol. Tempo depois, o jogo começou a ganhar drama com a expulsão do artilheiro Róbson, o Robgol, e do lateral Clemente Rodríguez. Eram agora 10 jogadores para cada lado. O time brasileiro ficou ainda mais compacto, marcando muito e tirando todas as bolas de perto da área. O Boca pecava na falta de objetividade e criatividade, ainda mais com Tévez no banco por teimosia de Bianchi. Sandro, Lecheva, Jorginho e o goleiro Ronaldo jogavam muito lá atrás e anulavam as investidas de Schelotto, Delgado e Battaglia. Nos contra ataques, Iarley era o perigo, sempre amparado pelo veloz Vélber e por Vanderson. Ao apito do juiz Carlos Amarilla, o placar em 0 a 0 era tudo o que o Papão queria. Mas faltavam mais 45 minutos.

Paysandu x Boca Juniors segundo tempo

2º TEMPO

Se o jogo já era difícil por vários fatores para o Paysandu ele ficou ainda pior no segundo tempo. Aos 10 minutos, Vanderson acertou uma cotovelada no atacante Schelotto e foi expulso de campo. O Papão ficava com apenas nove jogadores em La Bombonera com mais de meia hora de jogo pela frente. Num campo tão grande, seria dificílimo segurar o ímpeto do Boca com um homem a mais. Mas o Paysandu foi valente. Mesmo com pressão e os habitais chuveirinhos do time argentino, o esquadrão alviceleste tirava todas e neutralizava os perigos. Foi então que aos 23 minutos o imponderável aconteceu. Após uma saída errada da zaga, Moreno, do Boca, ia ficar cara a cara com o goleiro Ronaldo, mas o zagueiro Jorginho conseguiu recuperar a bola de maneira espetacular e aliviar o perigo. O Papão foi trabalhando a bola como se jogasse em casa uma partida do Campeonato Paraense. De toque em toque, a bola chegou a Sandro, que esperou a passagem de Iarley na esquerda e tocou para o atacante. Com toda sua habilidade, Iarley se livrou dos dois marcadores argentinos à sua frente e chutou no canto, sem chances para o goleiro Abbondanzieri: Paysandu 1 a 0. A Bombonera emudeceu por alguns segundos e o lado celeste e branco de Belém enlouqueceu! Com nove em campo, o Papão abria o placar. O gol chocou os argentinos, que tinham pouco tempo para tentar a virada. Tévez, Schelotto, Moreno, Delgado, todos se lançaram ao ataque, mas o Paysandu tratou de ficar fechadinho, marcando como se não houvesse amanhã. Pesava também a falta de talento dos argentinos, que ficavam apenas no “toco que me voy” e não atacavam de maneira mais aguda. Mesmo com seu time atrás do placar, a torcida do Boca dava um show à parte cantando e empurrando os jogadores argentinos. Mas o Boca não correspondia em campo, Carlos Bianchi era o retrato da incredulidade plena e o Paysandu o da maturidade. Aos 47´, Moreno ainda cabeceou uma bola perigosíssima pra fora, no último suspiro dos xeneizes. E foi isso. Boca Juniors 0x1 Paysandu.

Boca Juniors 0 x Paysandu 1

Após esse jogo pra lá de marcante, o Paysandu nunca mais foi o mesmo.
No jogo da volta foi derrotado em casa, por 4×2 e deu adeus a Copa Libertadores. Mas nada vai fazer esse fato marcante ser esquecido, uma linda história escrita por mais de 23 guerreiros. Um jogo lembrado até hoje, por todos nós.

O Papão após ter deixado seu nome na história nacional, passou por diversos problemas para se reerguer. Um dos fatores mais motivadores da luta para volta a elite do futebol brasileiro, é sua torcida fanática, que se diz e incentiva a valer o nome de “Maior do Norte”.
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Logo após a Copa Libertadores, o Boca Juniors realizou a contratação de Iarley, sim, o mesmo Iarley que foi autoro do gol que deu a vitória ao Paysandu. Iarley é um dos poucos, se não o único brasileiro que foi bem aceito, e é até hoje, pela torcida do Boca Juniors.

Iarley contratado pelo Boca Juniors

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